sexta-feira, 11 de maio de 2012

Prazer é "curtir o momento"???!

A vida é sábia e cada ser humano nasce com todas as potencialidades para seu pleno desenvolvimento. O que ocorre, geralmente, é que vamos "aprendendo" a não respeitar o que sentimos... e nisso o que somos. Cada sentimento tem sua função. Cada reação faz parte de um conjunto. A tristeza, a lágrima, são saudáveis quando respeitadas... Aliviam, curam, indicam novos caminhos... Momentos de angústia são necessários para entendermos que o caminho está errado. Se tivermos resposta para tudo, como o novo adentrará?
Quero compartilhar um trecho do livro: Ansiedade, de Júlio Parreira, que acho que retrata de maneira bem apropriada o que acontece atualmente:
 - "Mas nossa sociedade não quer saber de tristeza ou compaixão. Ela é eufórica, ou seja, deprimida de ponta-cabeça. E por isso é tão estranho ouvirmos a afirmação de que "vida é tristeza". Estamos acostumados a ouvir o contrário: "nunca fique triste", "mantenha-se sempre alegre, a qualquer preço" - e, geralmente, este preço é alto. Para mantermos nossa falsa alegria, compramos os ícones do consumo. Para fugirmos da poética da tristeza da vida, compramos um valor primeiro, quase inquestionável, de nossa sociedade: aquele que afirma que a vida existe para ser aproveitada (ou curtida, quer dizer, consumida). Chamamos a isso "prazer". O homem médio contemporâneo olha a vida, sua própria vida, como um pudim saboroso que deve ser inteiramente consumido, o mais rápido possível. Nesse engano, se autoconsome, anulando e esvaziando o ser. Compramos prazer, nas suas mais variadas embalagens: viagens, bens materiais, estudos, sexo, diversão. Nossos sonhos mais queridos são-nos usurpados e transformados em produtos de consumo, adquiríveis, descartáveis, superficiais. Temas fundamentais da alma humana -  sexualidade, espiritualidade, afeto - são banalizados.
... No entanto, evitamos a pergunta socrática: o que é prazer? Se a fazemos, retornamos a Epicuro, o filósofo do prazer. Prazer, para Epicuro, é tudo aquilo que alimenta a alma, tudo o que nutre o ser. Prazer é a sutileza de ser no ser, é o tangenciamento de seres e entes, interface de trocas, fluxo de energia. Prazer é alimento, sem prazer morremos à míngua, não de fome ou de sede, mas de falta de alma!"

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