Receber acolhimento e amor em momentos pessoais difíceis não é sinal de fraqueza ou dependência, mas de humildade e humanidade.
Os fortes aceitam ajuda. Os fortes têm consciência da própria fragilidade e não "brigam" com ela.
A autossuficiência, no fundo, revela certa dose de ingenuidade. Há um ego forte em jogo, dividido, exigente e "superior". Em geral, a pessoa que tenta manter a autossuficiência ou foi muito exigida e privada de acolhimento quando estava frágil, ou desenvolveu grande dependência dos demais, conseguiu superá-la e agora luta para evitá-la, sem perceber que, como antes, está polarizada no outro extremo, ou ainda revela pouco contato com seus aspecto desemparado, que permanece sombrio e pouco conhecido.
A pessoa que por motivos diversos desenvolveu excessiva independência ou autossuficiência, no fundo, sofre e sente medo. Tem dificuldade de receber amor, ajuda ou solidariedade, pois confunde sua necessidade afetiva com fraqueza.
A consciência de que somos precários nos faz livres e solidários.
Certas pessoas desenvolvem um profundo senso de observação sobre as necessidades/expectativas dos outros e tendem a agir e se relacionar tentando atender às demandas alheias. O problema é quando essa tendência se torna um padrão e a pessoa passa a defender-se e a proteger-se de suas experiências de diferença, minimizando-as para mascarar conflitos e confrontos.
Em um processo de terapia precisamos muitas vezes ajudar a pessoa a "limpar" os olhos e ouvidos, para que possa perceber-se como se fosse a primeira vez.
(Beatriz Helena Paranhos Cardella)

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