terça-feira, 29 de maio de 2012
quinta-feira, 24 de maio de 2012
terça-feira, 22 de maio de 2012
domingo, 20 de maio de 2012
Travessia
Fernando Pessoa
quinta-feira, 17 de maio de 2012
" A Experiência nunca pode ser compartilhada. Ela é servida sempre em frascos individuais"
Trecho do livro: Amor em minúscula, de Francesc Miralles - trata da impossibilidade de compartilhar verdadeiramente uma experiência:
- Imagine que vou fazer uma longa viagem, sem saber quando volto, e você vai até a estação de trem para se despedir de mim. Se depois nos comunicarmos por carta ou telefone e nos lembrarmos da despedida, não estaremos falando da mesma coisa, mesmo que imaginemos que sim. A minha lembrança e a sua serão diferentes, isso quando não forem exatamente opostas. Você se lembra de um homem que se afasta em um trem e que acena da janela. Mas eu me lembro de um homem imóvel em uma plataforma e de que ele ficava cada vez menor. É a única coisa que podemos compartilhar: a sensação do outro ficando menor. Trata-se de algo que encontra eco em nossas emoções. Quando nos distanciamos fisicamente de alguém, sua presença no inconsciente se reduz progressivamente. Talvez, nesse sentido, o que acontece no nível óptico seja mera preparação para o que acontecerá na mente. Mas voltemos ao início: a experiência nunca pode ser compartilhada. Ela é servida sempre em frascos individuais.
terça-feira, 15 de maio de 2012
... Você está se sentindo triste? Seja amigo disso. ..
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O único problema com tristeza, desespero, raiva, desesperança, ansiedade, angústia, miséria, é que você quer se livrar delas. Essa é a única barreira.
Você terá que conviver com elas. Você não pode escapar. Elas são a própria situação na qual a vida tem que se integrar e crescer. Elas são os desafios da vida. Aceite-as. Elas são bênçãos disfarçadas. Se você quer fugir delas, se você de alguma maneira quer se livrar delas, então surge um problema – porque se você quer se livrar de algo você nunca olha diretamente para isso e assim a coisa começa a se esconder de você porque você começa a condenar. Assim a coisa continua afundando no inconsciente, se escondendo no mais escuro canto de seu ser onde você não pode encontrá-la. Ela vai para os fundamentos de seu ser e se oculta lá. E, é claro, quanto mais fundo for mais problemas irá criar – porque então começa a funcionar de cantos desconhecidos de seu ser e você fica completamente desamparado.
Então a primeira coisa é: nunca reprima. A primeira coisa é o que quer que seja o caso é o caso. Aceite-o e deixe-o vir; deixe-o vir em frente a você. De fato, apenas dizer “Não reprima”, não é suficiente. Se você me permite, gostaria de dizer, “Seja amigo disso”.
Você está se sentindo triste? Seja amigo disso. Tenha compaixão disso. A tristeza também possui um ser. Permita-o, sente-se com ele, segure as mãos dele. Seja amigável. Apaixone-se por ele. A tristeza é bela! Não há nada de errado nela. Quem lhe disse que algo está errado em ser triste? Na verdade, só a tristeza lhe dá profundidade. A risada é superficial, a felicidade tem a profundidade da pele. A tristeza penetra até os ossos, até a medula.Nada penetra mais fundo do que a tristeza.
Assim, não se preocupe. Permaneça com isso e a tristeza lhe levará para o seu âmago mais profundo. Você pode passear nisso e você será capaz de conhecer umas poucas coisas novas sobre seu ser que você nunca tinha conhecido antes. Essas coisas só podem ser reveladas num estado de tristeza, elas nunca podem ser reveladas num estado de felicidade. A escuridão também é boa e a escuridão também é divina.
Uma pessoa que pode ser pacientemente triste subitamente descobrirá numa manhã que uma felicidade está surgindo em seu coração de alguma fonte desconhecida. Essa fonte desconhecida é a existência. Você ganhou isso se você esteve verdadeiramente triste, se você esteve verdadeiramente sem esperança, desesperado, infeliz, miserável, se você viveu no inferno, você ganhou o paraíso. Você pagou o preço.
Confronte a vida. Encontre a vida. Momentos difíceis acontecerão, mas um dia você verá que esses momentos difíceis lhe deram força porque você os enfrentou. Eles foram feitos para ser assim. Esses momentos difíceis são duros quando você está passando por eles, mas depois você verá que eles lhe tornaram mais integrado. Sem eles você nunca teria ficado centrado, fundamentado.
Deixe que a expressão seja uma das regras mais importante da sua vida. Mesmo que você tenha que sofrer por isso, sofra. Você nunca será um perdedor. Esse sofrimento lhe tornará cada vez mais capaz de desfrutar da vida, de regozijar-se na vida.

Osho, Extraído de: The Art of Dying
sábado, 12 de maio de 2012
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Prazer é "curtir o momento"???!
A vida é sábia e cada ser humano nasce com todas as potencialidades para seu pleno desenvolvimento. O que ocorre, geralmente, é que vamos "aprendendo" a não respeitar o que sentimos... e nisso o que somos. Cada sentimento tem sua função. Cada reação faz parte de um conjunto. A tristeza, a lágrima, são saudáveis quando respeitadas... Aliviam, curam, indicam novos caminhos... Momentos de angústia são necessários para entendermos que o caminho está errado. Se tivermos resposta para tudo, como o novo adentrará?
Quero compartilhar um trecho do livro: Ansiedade, de Júlio Parreira, que acho que retrata de maneira bem apropriada o que acontece atualmente:
- "Mas nossa sociedade não quer saber de tristeza ou compaixão. Ela é eufórica, ou seja, deprimida de ponta-cabeça. E por isso é tão estranho ouvirmos a afirmação de que "vida é tristeza". Estamos acostumados a ouvir o contrário: "nunca fique triste", "mantenha-se sempre alegre, a qualquer preço" - e, geralmente, este preço é alto. Para mantermos nossa falsa alegria, compramos os ícones do consumo. Para fugirmos da poética da tristeza da vida, compramos um valor primeiro, quase inquestionável, de nossa sociedade: aquele que afirma que a vida existe para ser aproveitada (ou curtida, quer dizer, consumida). Chamamos a isso "prazer". O homem médio contemporâneo olha a vida, sua própria vida, como um pudim saboroso que deve ser inteiramente consumido, o mais rápido possível. Nesse engano, se autoconsome, anulando e esvaziando o ser. Compramos prazer, nas suas mais variadas embalagens: viagens, bens materiais, estudos, sexo, diversão. Nossos sonhos mais queridos são-nos usurpados e transformados em produtos de consumo, adquiríveis, descartáveis, superficiais. Temas fundamentais da alma humana - sexualidade, espiritualidade, afeto - são banalizados.
... No entanto, evitamos a pergunta socrática: o que é prazer? Se a fazemos, retornamos a Epicuro, o filósofo do prazer. Prazer, para Epicuro, é tudo aquilo que alimenta a alma, tudo o que nutre o ser. Prazer é a sutileza de ser no ser, é o tangenciamento de seres e entes, interface de trocas, fluxo de energia. Prazer é alimento, sem prazer morremos à míngua, não de fome ou de sede, mas de falta de alma!"
quinta-feira, 10 de maio de 2012
Tem dor que vira companhia. Olhando de perto, faz tempo que deixou de doer, só tem fama, mas a gente não solta. Quem sabe, pelo receio de não saber o que fazer com o espaço, às vezes grande, que ficará desocupado se ela sair de cena. Vazio é também terreno fértil para novos florescimentos, mas costuma causar um medo inacreditável.
Quando, finalmente, criou coragem e deixou de dar casa, comida e roupa lavada para a tal dor, ela desapareceu.
(Ana Jácomo)
Quando, finalmente, criou coragem e deixou de dar casa, comida e roupa lavada para a tal dor, ela desapareceu.
(Ana Jácomo)
terça-feira, 8 de maio de 2012
Ansiedade... Amiga? Inimiga? Você realmente a entende??!
Quando estamos ansiosos, para fugir do barulho de dentro é comum procurarmos mais barulho do lado de fora: diversão, companhia, trabalho. É como se quiséssemos anular o barulho interior através do ruído exterior. Mas esse mecanismo, evidentemente, não funciona. Ao contrário: os ruídos se somam e vamos ficando mais e mais estressados. A saída desse ciclo vicioso é a procura de espaços com sossego. Ao procurarmos o silêncio de fora, podemos escutar mais nitidamente o ruído do lado de dentro, o que dará uma falsa impressão de aumento da ansiedade, enquanto na verdade, estamos apenas percebendo-a melhor. Se conseguirmos lidar com esse "choque inicial", aos poucos o ruído de dentro diminuirá.
... Caminhamos na incerteza e na dúvida não há outra maneira de caminhar. Se paramos, amedrontados pela nebulosidade, a própria parada não é a mais que uma escolha. Aliás, mesmo o não escolher é outra maneira de escolher; agindo deste modo, optamos por ficar à mercê da escolha de outrem. Dessa forma, sabemos que nossa ansiedade está sendo produtiva quando a utilizamos como mestra, a nos indicar quais situações tememos, quais desejamos, e por quê. Ela é a bússola que nos guia por essa estrada que, de tão incerta, é quase insensata.
(Júlio Parreira)
segunda-feira, 7 de maio de 2012
Autossuficiência... Benefício ou malefício?
Receber acolhimento e amor em momentos pessoais difíceis não é sinal de fraqueza ou dependência, mas de humildade e humanidade.
Os fortes aceitam ajuda. Os fortes têm consciência da própria fragilidade e não "brigam" com ela.
A autossuficiência, no fundo, revela certa dose de ingenuidade. Há um ego forte em jogo, dividido, exigente e "superior". Em geral, a pessoa que tenta manter a autossuficiência ou foi muito exigida e privada de acolhimento quando estava frágil, ou desenvolveu grande dependência dos demais, conseguiu superá-la e agora luta para evitá-la, sem perceber que, como antes, está polarizada no outro extremo, ou ainda revela pouco contato com seus aspecto desemparado, que permanece sombrio e pouco conhecido.
A pessoa que por motivos diversos desenvolveu excessiva independência ou autossuficiência, no fundo, sofre e sente medo. Tem dificuldade de receber amor, ajuda ou solidariedade, pois confunde sua necessidade afetiva com fraqueza.
A consciência de que somos precários nos faz livres e solidários.
Certas pessoas desenvolvem um profundo senso de observação sobre as necessidades/expectativas dos outros e tendem a agir e se relacionar tentando atender às demandas alheias. O problema é quando essa tendência se torna um padrão e a pessoa passa a defender-se e a proteger-se de suas experiências de diferença, minimizando-as para mascarar conflitos e confrontos.
Em um processo de terapia precisamos muitas vezes ajudar a pessoa a "limpar" os olhos e ouvidos, para que possa perceber-se como se fosse a primeira vez.
(Beatriz Helena Paranhos Cardella)
sábado, 5 de maio de 2012
".... Onde não há diferença não há relação. Não somos percebidos ou respeitados".
Somos seres constituídos essencialmente por relações, ou seja, nascemos e vivemos nos relacionando, e não há absolutamente nada em nós que tenha sido criado sem a presença do outro. Tudo em nós revela a presença de alguém, o encontro com outras pessoas.
Nossa singularidade constitutiva só pode se constelar no contexto de uma relação, já que não podemos saber quem somos se o outro não afirmar nossa existência por meio da experiência compartilhada da diferença. Somos nós mesmos porque não somos o outro.
Só podemos viver a experiência e o sentimento de pertencer a uma comunidade e ou parceria se somos reconhecidos em nossas diferenças.
Qualquer tentativa de massacre das diferenças se configura como uma forma de violência e opressão. Onde não há diferença não há relação. Não somos percebidos ou respeitados.
(Trecho do livro: Laços e Nós - Amor e Intimidade nas relações humanas)
sexta-feira, 4 de maio de 2012
O seu hoje é sua melhor versão!
Nada é irremediável. Somos processos em construção. O "seu" hoje é sua melhor versão.
Não tenha medo de mudar... não significa que estava errado. Somente que agora você aprendeu mais coisas que te levam a novas ações...
Como diz o poeta Gibran "Não diga Achei a verdade! Mas antes, achei UMA Verdade".
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Amor...!
O amor... é a experiência do total estranhamento: estamos fora de nós, lançados diante da pessoa amada; é a experiência da volta à origem, a esse lugar que não está no espaço e que é nossa pátria original. A pessoa amada é, ao mesmo tempo, terra incógnita e casa natal; a desconhecida e a reconhecida.
(Octávio Paz)
terça-feira, 1 de maio de 2012
Fale de seus sentimentos
Emoções e sentimentos que são escondidos, reprimidos, acabam em doenças como gastrite, úlcera, dores lombares, dor na coluna. Com o tempo, a repressão dos sentimentos, a magoa, a tristeza, a decepção degenera até em câncer. Então vamos confidenciar, desabafar, partilhar nossa intimidade, nossos desejos, nossos pecados. O diálogo, a fala, a palavra é um poderoso remédio e poderosa terapia.
Na terapia comunitária existe uma máxima que diz: "Quando a boca cala, o corpo fala. Quando a boca fala, o corpo sara".
(Pedro Leite)
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