sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Montanha-Russa Emocional...

Esse texto vem de encontro com muita coisa que acredito num processo terapêutico. Geralmente as pessoas procuram uma terapia porque querem ser iguais aos outros... Mas quando se permitem vão descobrindo gradativamente a beleza de se pertencerem... E que não há coisa mais bela do que ser diferente... pois isso significa ser simplesmente e muitas vezes finalmente você...
Espero que gostem do texto...
Com carinho, Leila.


Sinto que estou sempre numa montanha-russa de emoções. Como sair disso? Já tentei somente observá-las, porém logo que uma se vai, vem à tona algo mais!
Viva cada emoção que você sinta. Isso é você!

Odiosa, feia, sem valor – o que quer que seja, esteja realmente nisso. Primeiro dê uma chance para as emoções de vir totalmente para o consciente. Agora mesmo, pelo seu esforço de observação você está reprimindo-as no inconsciente. Depois você fica envolvido no seu dia – no seu trabalho, e você as força de volta novamente. Essa não é a maneira de livrar-se delas.

Deixe-as vir para fora, viva-as, sofra-as. Isso será difícil e tedioso, mas imensamente recompensador. Uma vez que você as tenha vivido, as tenha sofrido e as aceitado – que você é isso, que você não fez a si mesmo dessa maneira.... Uma vez que elas foram vividas conscientemente, sem nenhuma repressão, você ficará surpreso de que elas estejam desaparecendo por si mesmas. A força delas sobre você está diminuindo; as garras delas no seu pescoço não são mais tão firmes. E enquanto elas estão indo embora haverá um tempo em que você pode começar a observar.

Quando tudo chega até a mente consciente, se dispersa, e quando apenas a sombra está lá, essa é a hora de ficar atento....
Quando o medo chega, o que fazer ?

Porque você pede para fazer alguma coisa? Quando existe medo? Fique com medo! Porque criar uma dualidade? Quando momentos de medo chegarem, fique medroso, trema de medo e permita ao medo tomar conta. Porque esta constante pergunta: Que fazer? Você não pode permitir que a vida se aposse de você de jeito nenhum?

Quando o amor se apossa, que fazer? Seja amoroso! Não faça coisa alguma – permita que o amor se aposse de você. Quando o medo chegar trema como uma folha sob forte vento e isso será bonito. Quando isso passar você se sentirá tão sereno e calmo, como quando uma forte tempestade passa tudo fica calmo e quieto depois. Porque estar sempre combatendo alguma coisa?

O medo chega – é natural, absolutamente natural. Pensar num homem que é sem medo é impossível porque ele estará morto. Então alguém estará buzinando na estrada e um homem sem medo continuará no caminho, ele não se incomodará. Uma cobra estará no caminho e um homem sem medo não se incomodará, ele irá continuar. Um homem sem medo será absolutamente tolo e estúpido.

Medo é parte da sua inteligência; não há nada de errado com isso.

Medo simplesmente mostra que existe morte; e nós seres humanos estamos aqui apenas por poucos momentos. Esse tremor diz que nós não ficaremos aqui permanentemente, não ficaremos aqui eternamente; mais alguns dias e você terá ido.

De fato devido ao medo o homem tem estado em profunda busca da religião; do contrário não haveria nenhum sentido. Nenhum animal é religioso porque nenhum animal está com medo.

Nenhum animal pode ser religioso porque nenhum animal pode ficar cônscio da morte. O homem está cônscio da morte. A todo o momento a morte está lá e lhe cerca de toda parte. A qualquer momento você pode ir; isso lhe dá um tremor. Porque ficar com medo? Trema! Mas novamente o ego diz: “Não, você – medroso? Não, isso não é para você, isso é para os covardes. Você é um homem corajoso”.

Isso não é para os covardes. Permita o medo. Só uma coisa precisa ser compreendida: quando você permite o medo e treme, observe-o, desfrute-o, e nesse observar você irá transcendê-lo. Você verá que o corpo está tremendo, você verá a mente tremendo, mas você chegará a sentir um ponto no seu íntimo, um centro profundo que permanece impassível. A tempestade passa, mas algo no seu âmago é um centro que permanece intacto: o centro do ciclone.

Permita o medo, não lute com ele. Observe o que está acontecendo. Continue observando. Quando o seu olho observador ficar mais penetrante e intenso – o corpo estará tremendo, a mente estará tremendo – no seu âmago estará a consciência, que é simplesmente uma testemunha, que somente observa. Ela permanece intacta, como a flor de lótus na água. Só quando você alcança isso você irá alcançar o destemor... (Osho, Extraído de: Tao: The Three Treasures)

Pois só sabe realmente dimensionar a grandeza da luz aquele que já adentrou em sua própria escuridão...

Leila



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