quinta-feira, 12 de julho de 2012

A grama do jardim alheio é mais verde??


Um homem trabalhava de sol a sol, plantado batatas.
Em dado momento, cansado, suarento, limpou o suor da fronte com a manga da camisa e começou a lamentar consigo mesmo:

- Que vida dura essa! Batalhando aqui o dia todo, suportando o sol e a chuva, as variações do clima, para auferir parcas rendas.
E quando o produto tão trabalhosamente obtido chega à banca dos feiristas, as donas de casa compradoras escolhem exigentemente cada fruto, desprezando os menos atraentes, sem fazer idéia do trabalho que dá...

Nisso, distendeu a vista pelo asfalto distante e viu um ônibus deslizando suavemente.
Comentou com seus botões:
- Vida boa é a de motorista de ônibus; trabalha sentado, à sombra, viajando, vendo paisagens!...

Nesse exato instante, o motorista do ônibus conjecturava, tristemente:

- Que vida sacrificada!

Há quantos anos vivo de lá pra cá, de cá pra lá, sem parada, suportando a frivolidade de turistas e a chatice de passageiros problemáticos!
Passo a vida praticamente fora de casa, sem poder acompanhar o crescimento dos filhos e desfrutar o conforto doméstico.

Além de tudo, correndo risco de vida e de ser despedido quando ocorra qualquer acidente que estrague o carro... Olhou distraidamente pela janela do ônibus e viu um automóvel de passeio que o ultrapassava com facilidade.

- Vida boa é como a desse empresário que vai ali naquele automóvel - balbuciou.
- Despreocupado, dono de seu tempo, com dinheiro suficiente para ter o que deseja e ir onde quer!

Naquele momento, o homem de negócios ia em seu automóvel matutando, amargamente:
- Que vida estafante!
Trabalho 14 horas por dia, corro sem parar administrando interesses da empresa, da família, dos empregados e ainda sou tido como ambicioso, insensível!
Ninguém reconhece meus esforços, os filhos julgam que o dinheiro cai do céu para usarem e abusarem, a esposa não compreende as longas ausências do lar, as filiais exigindo viagens repetidas, as flutuações de mercado, as pressões do fisco, os juros altos dos financiamentos...

Olhou ao alto, através do pára-brisa, e viu um avião a jato singrando os céus, deixando um rastro de fumaça e ponderou:

- Vida boa é como a do piloto desse avião que ali vai; voando lá no silêncio das alturas, distante das agruras terrenas, desfrutando o status de uma profissão respeitável, sem ter que se preocupar com os problemas da empresa a que serve, atendido gentilmente em cada aeroporto...
Exatamente nessa hora, o piloto do jato, em sua cabina, divagava:

- Não agüento mais esta vida!
- Voando sempre de um lado para outro, em meio a esta parafernália de instrumentos, sujeito a horários e normas rígidas, tendo que confiar em mecânicos nem sempre atentos, sem liberdade para dispor do tempo desejável em cada cidade!

Dirigiu o olhar para baixo, meditativo, e viu um homenzinho lá embaixo preparando um terreno para plantar batatas e afirmou convicto:

- Vida boa é a daquele lavrador lá embaixo, exercendo o mais original e legítimo trabalho do homem: lavrar a terra e colher dela o alimento de que se nutre, sem complicar a vida!
No chão firme, seguindo o ritmo da natureza, sem se preocupar com estes mapas complicados de vôo complexos...

É... vida boa... é uma questão de perspectiva.

domingo, 8 de julho de 2012

Autobiografia em cinco capítulos


1) Ando pela rua.Há um buraco fundo na calçada. Eu caio. Estou perdido… sem esperança. Não é culpa minha. Leva uma eternidade para encontrar a saída.

2) Ando pela mesma rua. Há um buraco fundo na calçadaMas finjo não vê-lo. Caio nele de novo. Não posso acreditar que estou no mesmo lugar. Mas não é culpa minha. Ainda assim leva um tempão para sair.

3) Ando pela mesma rua. Há um buraco fundo na calçada. Vejo que ele ali está. Ainda assim caio… é um hábito. Meus olhos se abrem. Sei onde estou. É minha culpa. Saio imediatamente.

4) Ando pela mesma rua. Há um buraco fundo na calçada. Dou a volta.

5) Ando por outra rua.

(Portia Nelson)

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Quem eu sou? Depende da maneira como você me olha...

Eu sou quem quer que você pense que eu sou, porque isso depende de você.
Se você olhar para mim num vazio total, eu serei de uma maneira.
Se olhar para mim com idéias na mente, essas idéias vão me colorir.
Se se aproximar de mim com preconceito, então serei de outra maneira.
Eu sou apenas um espelho. A sua face será refletida nele.
Assim, depende da maneira como me olha.
Eu desapareci completamente; portanto, não posso impor a você quem sou.
Nada tenho para impor.
Existe apenas um vácuo, um espelho.
Agora você tem completa liberdade.
Se quiser realmente saber quem sou, você precisa estar tão absolutamente vazio quanto eu.
Desse modo, dois espelhos estarão um diante do outro, e só o vazio será refletido.
Um vazio infinito será refletido: dois espelhos se olhando.
Mas se existir em você alguma idéia, então você verá sua própria idéia em mim.

AMANDO A SI MESMO

Sempre pensamos no amor em termos dos outros. O homem pensa em amar a mulher, a mulher pensa em amar o homem; a mãe pensa em amar o filho, o filho pensa em amar a mãe; os amigos pensam em amar um ao outro. Mas, a menos que você ame a si mesmo, é impossível amar uma outra pessoa.
Você pode amar uma outra pessoa somente quando tiver amor dentro de você. Você pode compartilhar algo somente quando o tem. Mas toda humanidade tem vivido sob a errônea ideologia e a tomamos como certa – como se já nos amássemos e, agora, toda a questão seja como amar o nosso próximo. Isso é impossível! Por isso existe tanto falatório sobre o amor, e o mundo permanece feio e cheio de ódio, guerras, violências e raiva.
Este é um grande insight a que se deve chegar: que você não se ama. É realmente muito difícil amar a si mesmo, porque nos ensinaram a nos condenar e não a nos amar. Ensinaram-nos que somos pecadores, que não temos valor. Por causa disso ficou difícil amar. Como se pode amar uma pessoa sem valor? Como se pode amar alguém que já está condenado?
Mas isso virá. Se você receber o insight de que você não se ama, não há com o que se preocupar. Uma janela se abriu, e você não ficará dentro do quarto por muito tempo – você saltará para fora. Uma vez conhecido o céu aberto, você não poderá ficar confinado a um mundo mofado. Você sairá dele.
(Osho)